Amanhã espero-te no fim da rua, no fim daquela ponte. Espero-te encostada à parede rugosa que já tão bem conhece os traços e feições do meu corpo. Continua áspera, fria, cheia de falhas, mas eu acho-a perfeita assim. Esconde em si a beleza do que é velho, antigo, e eu escondo em mim um amor que floresce como as folhas dos pequenos ramos que nela existem, ainda verdes e vivas depois deste inverno bruto. Espero-te na estrada, por onde caminhamos diariamente, a sonhar acordada. Sonho com os sorrisos, com o cantar de primavera e o voar dos sentidos. Espero-te calmamente, amando-te com ternura. Sei que vens ao longe, por isso tenho paciência e vou sorrindo ao vento, que vai e vem, suave e rasteiro.