Deito-me na relva, sob o olhar atento dos pássaros da árvore que me abriga do sol. Passo como algo indiferente ao mundo que me rodeia. Seguem todos com a sua vida rotineira, lá em baixo na vila, enquanto eu permaneço ali, naquele pequeno monte, de onde posso ver a agitação urbanizada. Permaneço deitada, imóvel e adormecida. Sonho com um amor sob as folhas do carvalho lá do alto. Um amor a saber a fresco e bom de se viver. Sonho contigo, sonho connosco. As minhas mãos não encontram a tua face para te puder acariciar, tocar e sentir. Por isso, sonho contigo, sonho connosco. O vento passa sorrateiro, disfarçado de brisa matinal. Abro os olhos e tudo me parece igual, exactamente como estava antes de ter imaginado uma vida de olhos fechados. A paisagem é a mesma, mas o sonho é maior. E não pára de crescer.