Encostei-me a uma parede, abrigando-me do sol forte, perto da ponte. Olhei-a, de cabeça suspensa no ar, e esperava que aparecesses no horizonte, que caminhasses em direcção a mim. Tardavas em vir. Contemplei o chão que tantas vezes pisei contigo e sorri. Já o havia percorrido imensas vezes que lhe perdera a conta, mas sabia-me bem fazê-lo, apesar de me levar a uma íngreme subida. Os carros passavam e as pessoas olhavam para a estranha figura que se encostara ali, diante deles, à sombra, com um sorriso na cara. Mas, apesar do espanto destes, eu continuava com a mesma expressão doce. Era inevitável. Vejo-te de relance como um contorno no céu azul, que se aproxima ao de leve. Logo me mostras um sorriso com toda a alegria que transmites, aquela alegria por estares comigo. O meu coração palpita dentro do meu peito e a primeira coisa que fazes ao estares a escassos centímetros de mim é dar-me o beijo que os meus lábios à tanto ansiavam.