Vejo-te aí deitada, imóvel e sem forças. Pego na colher e levo-a à tua boca, mas tu não a abres. Cerras a boca como cerras o coração. Digo-te para comeres, mas tu não mastigas. Digo para falares comigo, pego contigo para reagires, mas a única coisa que fazes é olhar-me, não me vendo. Vês um vulto diante de ti e não sabes quem é. A tua visão já não é a mesma de à 11 anos atrás. Está cansada, como a tua alma, como o teu corpo. Quantos anos, meses, dias terás ainda aqui comigo ? Mudaste a minha vida e agora receio o futuro. Culpo-te e não te culpo. Choro com saudades de ti, embora estejas perante mim. Pareço louca, mas tu nunca te irás aperceber deste meu sofrimento.