Amanhã estou de partida.
  Encosto-me à parede do meu quarto. As minhas pernas vacilam e caio no chão da dura realidade. A minha face salgada das lágrimas, as minhas mãos trémulas, os meus olhos nublados, tudo isto me impede de continuar. Mas levanto-me e sento-me na beira da minha cama.
  Amanhã estou de partida. As portas do meu armário estão abertas, as roupas por escolher, um pacote de lenços em cima da minha cama e tudo espalhado, porque a vontade de ir é quase nula. Hoje pergunto-me o que me levou a decidir viajar para longe de ti. A verdade é que amo viajar. Mas verdade verdade é que amo-te mais a ti. Agora nada se pode fazer. Não há volta à dar. Amanhã estou de partida.
  Hoje, de cada vez que me telefonavas o meu coração vibrava de alegria. Fazias-me sorrir e soltar uma gargalhada por muito pouco que dissesses. Criavas em mim uma felicidade repentina e avassaladora. Porém, quando desligavas e eu deixava de ouvir a tua voz, uma enorme saudade instalava-se em mim por saber que não mais terei dessas chamadas, desses pequenos instantes e desses sorrisos momentâneos e verdadeiros na próxima semana. Lágrimas teimam em habitar o meu coração e a minha face, que se torna em rio em meros segundos. Mesmo quando os meus olhos secam, o coração permanece em sofrimento. Diz-me que isto é apenas um mau pesadelo. Diz-me que isto foi fruto da minha imaginação. Amanhã estou de partida.