Gostaria que vivêssemos perto, um ao lado do outro. Assim talvez pudesse, num pequeno salto equilibrado, como que impossível, da janela do meu quarto, entrar na do teu e aí ficar a passar a noite, em segredo e com amor. Poderia ter-te como apoio sempre que precisasse e o teu ombro onde apoiar a minha face cansada. Ficaria com a minha cara deformada com as saliências e pormenores do teu ombro rijo mas quente. A tua mão preencheria perfeitamente o espaço vazio que existe entre a minha. Os nossos dedos entrelaçados parecem o encaixe perfeito dos nossos corações. Poderia ver-te dormir da minha cama, com esse ar tão calmo. Poderíamos nos encontrar no meu telhado, ou no teu, e olhar o céu estrelado, olhar a forma como cada brilho ilumina o céu austral e talvez ouvir-te dizer eu é que dou aquela luz à tua vida.
  Adormeceríamos sobre o olhar atento das estrelas. Elas, com um pouco de inveja, trariam-nos uma chuva suave de verão que nos faria acordar e faríamos as nossas juras de amor eterno sobre a água que lavava o nosso beijo profundo e verdadeiro. Por isso, talvez, gostaria que vivêssemos perto, um ao lado do outro.