O texto não é meu.
  « A minha avó está nos últimos estágios da doença de Alzheimer. Ela fica bastante rígida numa cama de hospital. Não consegue alimentar-se, usar uma casa de banho, sentar-se, abrir os olhos, nem falar. Ela está nesse estado à muitos anos.
  Dizer que parte o meu coração ao ir vê-la neste estado é como um eufemismo. E muitas vezes leva dias para se recuperar emocionalmente de a ver, simplesmente porque ela era tão cheia de vida, incrivelmente amorosa, a pessoa mais positiva que eu conheci e provavelmente vou conhecer na vida. Ela tinha o raro dom de fazer quem quer que estivesse na sua presença, sentir como se fossem a pessoa mais importante do mundo. E agora, quando eu tento segurar a mão dela e falar com ela ou beijá-la e ela não consegue responder, parte do meu coração morre.
  Se vocês a pudessem ver como eu ainda a vejo, teriam sido surpreendidos com sua beleza, tanto dentro como fora.
  À cerca de oito anos atrás, o meu avô começou preocupar-se com sua memória, com coisas que ela dizia, o seu humor. Todos nós dissemos que era a velhice. Ela está a envelhecer. É claro que ela iria esquecer as coisas.  Mas então as chamadas do meu avô começaram a ser à noite. Eu conseguia ouvir a minha avó, perto de histeria no fundo, com o meu avô a implorar por ajuda. O Alzheimer tinha roubado sua memória de curto prazo.
  O Alzheimer mata lentamente as células do cérebro da sua vítima. Começa com a memória e estados de espírito, seguidos das habilidades do corpo para andar, falar, digerir, em todas as funções. Pode continuar por décadas, até que o cérebro deixe de dizer ao corpo para respirar. Pode ser uma das doenças mais terríveis que o homem conhece. E nunca uma mulher como a minha avó merecia tal destino.  Ela foi para o hospital em 2005 para estabilizar a sua condição e nunca mais saiu.
  Às vezes eu acho que a única coisa boa disto tudo é que eu tenho uma oportunidade de compensá-la agora. Eu posso amá-la da mesma maneira que ela sempre me amou: incondicionalmente e com todo meu coração. Eu ainda não consigo tirar a imagem da minha cabeça de quando a minha linda avó não conseguia entender que eu estava a tentar ajudá-la a ir à casa de banho e ela "lutava" comigo e gritava porque não sabia o que estava a acontecer, o que a aterrorizava . Eu apenas continuei a chorar e a segurar-la, dizendo: "Eu amo-te. Eu amo-te tanto." E de certa forma, estou muito agradecida por esse momento, porque eu estava lá para ela, em vez de um estranho. Ela estava nos braços de alguém que a amava. 
  Na verdade, foi quase um alívio, quando a sua mente se mudou para outro sítio. Ela já não era torturada. Parecia calma. Mas para o meu avô, todos os dias são um exercício de tortura. Ele visita-a todos os dias, escova-lhe os cabelos, alimenta-a, tocando à sua amada Glenn Miller, Bing Crosby e Benny Goodman.
  Parece monstruoso admitir que eu imploro para que ela possa seguir em frente em breve. Eu não quero que a minha avó morra. Mas eu não posso dizer honestamente que ela tem uma vida agora. E também acredito que ela só continua aqui porque alguns membros da nossa família não estão preparados para deixá-la partir. Como eu disse, a felicidade da sua família foi sua maior conquista.
  Minha linda avó. Nós somos ambas filhas únicas. Eu herdei as suas mãos, a sua disposição por vezes melancólica, o seu sorriso, a sua obsessão pela câmera. Claro que eu me pergunto se herdarei o seu destino também. Mas tudo isso é secundário. O que mais importa é que tu saibas o quanto eu te amo, minha linda avó. Obrigada por me ensinares o que é amor ao dá-lo tão livremente todos os dias da tua vida. Tu sempre estiveste no meu coração e sempre estarás. »